– Publicado no MM Online em 26/09/2008 –
Pensei que fosse ter problemas em entender o papo-cabeça da nanotecnologia que foi tema da palestra "Tracking the World". E não foi o caso. Um reconhecido laboratório chamado CeNSE – The Central Nervous System for the Earth – baseia-se na crença que a nanotecnologia tem potencial para revolucionar a interação humana com o planeta Terra assim como a internet teve potencial para modificar as interações das empresas e os negócios.
A nanotecnologia – tecnologia do tamanho da medida nano – pode ajudar a Terra a se curar do mal que os próprios "seres humanos" fazem à Terra (poluição, contaminação de alimentos, etc.).
Esse é o princípio da pesquisa que a CeNSE está desenvolvendo e que
estará nas ruas daqui 5 anos, já que empresas de massa de grande parte
estão comprando essa metodologia para incluir em seus produtos.Funciona
mais ou menos assim: os nano-chips "sentem" – literalmente – as dores
da terra. O laboratório tem desenvolvido através da tecnologia uma
série de variáveis que podem ser detectadas pelos chips nano e avisar o
ser humano que há algo errado. Por exemplo, se um queijo está
embolorado, se a terra que o agricultor está arando está ácida demais,
se o ar está muito poluído, se a água é boa para consumo e assim por
diante.
Recentemente, na China, houve uma contaminação em massa por Melanina
no Leite que já matou dezenas de crianças com centenas de outras
contaminadas. Essa contaminação poderia ser evitada a partir dessa
tecnologia.No mesmo módulo, Stanley Williams, colaborador da HP e
diretor da HP Information and Quantum Systems Lab e Euro Beinat
estiveram presentes também para mostrar como a tecnologia que eles
estão desenvolvendo pode ajudar o mundo.
A dupla tem desenvolvido em conjunto com a cidade de São Francisco
(e agora o farão com Amsterdã) um projeto de telefonia celular que
ajudam a medir a dinâmica das cidade. Através dos impulsos digitais das
ligações e dos SMSs enviados dos celulares, a empresa consegue captar o
"pulso" da cidade e entender as partes mais "vivas" da cidade, a que
horas e em que dias da semana.
Esse projeto nada mais é que um acompanhamento do tráfego de voz e
dados correlacionado ao curso do dia da cidade. O mais curioso,
entretanto nesse projeto é o modo pelo qual ele é mostrado. Imagine um
"olhar" aéreo do skyline da cidade e, partir do chão, uma representação
de raios coloridos nascem a cada estímulo de tráfego de voz ou dados é
emitido pelos milhares/milhões de habitantes. Do ponto de vista
gráfico, fica fácil entender como a cidade "pulsa" e "track" esse
movimento.
Depois de uma cacetada nebulosa e cabeçuda como a anterior, o dia
foi terminando com o assunto "design". Como os criadores (de design)
podem envolver as pessoas que eles querem para criar trabalhos de um
jeito novo? Participam Bill Moggridge, fundador da IDEO, uma das mais
renomadas empresas de design do mundo (dei uma olhada no site
www.ideo.com e confesso que fiquei muito pouco impressionado já que
pareceu-me uma réplica da Landor, nada muito diferente).
E a palestra correspondeu à minha expectativa já que deu uma
perspectiva interessante mas rasa sobre o "approach" que os desgins
devem ter hoje com o início dos seus projetos. Com o nome de
"Togetherness – With & By", Moggridge deixou claro que se um design
precisa criar uma cadeira, por exemplo, é exigido dele saber sobre
anatomia humana; se for criar para os Chineses, precisa
obrigatoriamente conhecer as atitudes e hábitos Chineses. E por aí vai.
Já Younghee Jung, senior design manager na Nokia, mostrou como a
empresa envolve as pessoas no processo de criação de design. Uma
péssima apresentação porque foi toda lida por ela, mas com uma boa
surpresa: o Nokia Open Studio, que seleciona jovens de comunidades
carentes, os coloca num estúdio por 2 dias e pede para que eles
desenhem/projetem os celulares que respondam às suas necessidades.
Idéias geniais de 3 comunidades diferentes: Índia (Mumbai), Ghana
(Bududuram), Brasil (Jacarezinho). Telefones com porta águas, para
regiões com desastres naturais; com "megaphones", para organização de
grupos grandes; com porta maquiagem e espelho, para as meninas dos
bailes funk do Rio não precisarem ficar na fila do banheiro durante o
baile e assim por diante. Um projeto excepcional e interessante que
rende sim novos produtos para a empresa.


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