Mais uma semana em São Francisco, e o Denis Camargo conta um pouquinho pra gente o que foi discutido nas aulas do Bootcamp.
É engraçado notar como alguns dos insights mais interessantes surgem da análise fria e bem aplicada do comportamento humano (coisinhas como: inveja, sociabilidade, destaque).
Coisas que não são nenhuma novidade, que estão debaixo do nosso nariz e dos gráficos de pesquisa, basta olhar e perceber com atenção.
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Suzanne Szostak é estrategista digital da Venables Bells and Partners, uma agência super bacana de San Francisco.
Suzanne foi uma das estrategistas da campanha lendária da BMW com Madonna, James Brown, Guy Ritchie e John Woo na Fallon. Ocupou o cargo de VP de planejamento da DraftFCB e já trabalhou no Google como especialista criativa no Youtube. Ela é incrível, eu sei.
A primeira coisa que se nota é que seu pensamento não é linear. Funciona da mesma forma que uma busca pela internet, centenas de informações interessantes sobre um tema, mas que não são necessariamente interdependentes umas das outras.
Vamos a elas:
Facebook: A maior rede social do mundo lançou seu próprio e-mail há pouco tempo, mas, por enquanto, poucas pessoas receberam o convite para ter o seunome@facebook.com. Mas polêmica não demora a chegar. Já está rolando a pergunta se intenção do novo produto é matar o Gmail. É pouco provável que isto aconteça devido falta de confiança que os usuários tem em relação a privacidade no Facebook, somado a satisfação altíssima com o Gmail. Entretanto, o que se discute é a provável mudança do propósito do uso do e-mail do Google que poderá deixar de ser seu principal e-mail pessoal para se tornar destino de e-mail comercial, receber ofertas, etc. Isto porque, como Facebook já possui caráter pessoal, na rede social já estão todos os seus contatos pessoais e você ainda pode escolher se quer receber e-mails apenas de amigos, amigos de amigos ou de todos (para saber mais).
A economia da inveja. Procure olhar para os aplicativos que fazem mais sucesso nas redes sociais e descubra o que as motiva a passarem horas jogando. Qual o comportamento humano que leva a comprometerem tanto das suas horas e reduzirem tanto a produtividade no trabalho.
Muitos social games são baseados na inveja. Por exemplo, no Farmville a grama do vizinho literalmente sempre a mais verde. Cada um recebe atualizações de como anda o desempenho dos outros usuários. Assim, os usuários são impelidos a jogar mais a medida em que se sentem deixados para trás.
How to: Entre os vídeos mais vistos do Youtube estão os “educativos” conhecidos por aqui como “How To”. Os assuntos são variados e os mais acessados são culinária e beleza.
Aqui nos EUA o ExpertVillage, recentemente adquirido pelo eHow.com, é um website dedicado a esses vídeos tutoriais e recebe cerca de 88 milhões de visitas mensais.
A campanha do Creamcheese Philadelphia, foi baseada na tendência de How To. Foi promovido um reality show para escolher uma Cooking Star. Resultado: altíssimo nível de engajamento.
Social Commerce: Para quem não sabe é a união entre social network e e-commerce. No Brasil a idéia estourou com Click-on e Peixe Urbano. Trata-se da formação de uma rede de pessoas para obter melhores preços em determinados produtos. Aqui nos EUA isso também virou uma febre com o livingsocial.com e groupon.com
Com relação a processos, Suzanne destaca algumas diferenças do Brief digital que busca um real dialogo com os consumidores.
É importante explorar algumas perguntas básicas como: Quais as tensões entre as pessoas e a cultura que queremos explorar? Qual é o estalo que vai iniciar a conversa? Que novos produtos ou experiências podem ajudar a iniciar a conversação? Como o dialogo vai continuar? Não só pensar com quem a campanha deve falar, mas com quem queremos que o nosso target fale? Como espalhamos o diálogo entre diferente mídias? Como mensuramos o sucesso?
A sensação é que com relação ao digital os americanos estão ainda anos a frente. Desenvolver novas tecnologias é parte do dia-a-dia e existem experts dentro das agencias para facilitar esse processo. O budget também ajuda, a verba só para a construção de um website para HP que vimos em uma das aulas foi de 600 mil dólares. Nada mau, não?
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