"Vida de Equilibrista, dores e delícias da mãe que trabalha", de Cecilia Troiano, terá sua noite de autógrafos nesta terça-feira, 16 de outubro, às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto
Nacional em São Paulo.
Cecilia Troiano é psicóloga, pesquisadora, sócia-diretora da Troiano Consultoria de
Marca e professora de pesquisa do Bootcamp de Planejamento da Miami Ad School de São Paulo.
Editado pela Cultrix, seu livro busca traduzir os dilemas da mãe contemporânea, a partir de um estudo quali+quanti que envolveu 850 mulheres das classes AB, além de relatos de especialistas e de sua própria vivência como mãe e profissional.
A PESQUISA
A primeira fase do estudo focou as discussões com seis grupos: quatro foram com mulheres que trabalhavam e tinham filhos de 0 a 10 anos; um grupo reuniu mães de filhos de 0 a 10 anos que trabalharam, mas largaram a carreira para se dedicar exclusivamente à família; e um sexto grupo foi com pais casados com mulheres que tinham uma vida profissional ativa. Numa segunda fase, a pesquisadora ouviu 800 mulheres em todo o país.
A pesquisa consultou ainda sete profissionais de áreas distintas (pediatras, terapeutas familiares, educadores, profissionais de RH) que se relacionavam com essas mães.
Veja abaixo alguns destaques da pesquisa, enviados pela assessoria de imprensa:
- Apesar de decididas a seguir trabalhando, 50% das mães já pensaram
em abandonar a carreira pelo menos alguma vez. Um terço ainda está
decidindo o que fazer e 70% desistiram da idéia e seguem trabalhando.
O retorno ao trabalho, após a licença maternidade, é um momento de
sentimentos intensos e paradoxais. 33% das mulheres se diziam ansiosas
e alegres e, em contrapartida, 25% completamente inseguras.
A vida de equilibrista será mantida mesmo que a auto-estima da
mulher/mãe seja colocada em ‘cheque’. As mães se dedicam mais ao
trabalho, casa, marido e filhos do que a elas mesmas. São 8 horas no
trabalho, 4h30 com filhos, 1h30 dedicada à casa, tempo similar
dispensado ao marido e apenas 1h20 para a própria vida.
Essa situação não tem sensibilizado os pais. Embora mais participativos
e sensíveis, as mães ainda assumem a maior parte das responsabilidades.
O pai continua pouco participativo e mãe cada vez mais onipresente. 67%
delas são responsáveis por acordar os filhos, ante 10% dos pais.
Reunião de escola reúne 75% de esposas e 6% de maridos. Somente 4% dos
pais se responsabilizam por levar os filhos ao médico, essa é mais uma
tarefa das mães em 91% dos casos.
Filhos crescem e preocupações também. A pré-adolescência, quando os
filhos estão mais expostos a violência urbana e às drogas, chama a
atenção de 11% das mães. Mas 59% delas apontam que o período mais
difícil para conciliar maternidade e trabalho é mesmo no primeiro ano
de vida dos filhos.
Dividida entre o papel de mãe e profissional, 35% das mulheres
idealizam um trabalho que consuma metade de seu tempo. Montar um
negócio próprio é a aspiração de 34% e um marido/companheiro mais
participativo é prioridade para 32%. Características claras para quem
precisa equilibrar as prioridades, desejos e obrigações.
Há também uma dicotomia entre o que as mulheres são de fato e o que
gostariam de ser. Entre 50 características apontadas pela pesquisa, 42%
disse que gostariam de ser ricas e 26% boas amantes. Mas o que elas são
de fato, segundo as próprias: boas mães (48%) e batalhadoras (36%).
Essas novas mulheres, que não abrem mão do trabalho e da família,
adquiriram novos hábitos de consumo. A pesquisa pediu para as
mães/profissionais apontarem quais são as marcas mais parceiras no seu
dia-a-dia. Além das tradicionais marcas de leite, fraldas e materiais
de higiene, elas citaram companhias de celulares, montadoras de
automóveis, MP3 Players e laptops. Para a pesquisadora são as marcas
que acentuam a importância da vida profissional e que, de alguma forma,
diminuem as distâncias e aproximam o trabalho da casa.
Mesmo com essa vida de equilibrista, a mulher brasileira investe cada
vez mais em sua vida profissional. O trabalho é um projeto incorporado
à vida dessas mulheres antes da família aumentar. 94% das mães já
trabalhavam antes de ter o primeiro filho. O projeto da maternidade,
em média, foi adiado por 5 anos. 30% declaram que adiaram o plano de
ter filhos por causa da carreira. Ou seja, a profissão dita o ritmo da
maternidade em 1/3 dos casos.


Cecília, sem querer vim parar aqui neste blog e acabei descobrindo esta ótima notícia. Parabéns pelo livro!
Beijo, Marcos
Ontem assisti o programa da MARÍLIA GABRIELA e adorei saber que agora existe este livro. Gostaria de conversar mais com a autora a este respeito. Isto porque, em 1995 apresentei minha tese de mestrado justamente sobre a mulher na publicidade, a forma como ela era representada nesse âmbito nas décadas de 70 e 80. Sobretudo pesquisei os avanços das mulheres e analisei comerciais das 2 décadas. Sou professora de graduação em Publicidade. Gostaria de que entrasse em contato comigo. ou que me passasse seu e-mail ou telefone para que eu a procure. Grata. Obs. depois revelo outros detalhes que não acho adequado dizer aqui pois ficaria muito público.
As mulheres que trabalham, por vontade ou por necessidade, podem imaginar os que os filhos sentem ficando em casa com empregados, porém não tem a mínima idéia de como seja. Será que não é fácil, para as mães que foram criadas com suas mães em casa, falar sobre esse assunto? E os filhos que ficam com empregados, o que eles acham?
Talvez esse assunto desse uma boa pesquisa, você não acha? Porém a pesquisa teria que ser feita com adultos, a partir de 30 anos, que com certeza, tem uma visão melhor do todo.
olá, Ciça, estou fazendo mestrado na PUC e a minha dissertação investiga como as grávidas e mães são retratadas na propaganda atualmente(2006 a 2008.) Seu livro me ajudou muito a compreender o contexto geral das mães de hoje! Um abraço e parabéns, Maria Collier de Mendonça